Opus finalmente é aprovado como RFC
Eu queria ter preparado um post melhor, explicando um pouco do funcionamento desse codec e o porque ele é incrível. Mas o RFC (6716) foi finalmente aprovada hoje, o que significa que o Opus é o primeiro codec de áudio estado-da-arte, livre de royalties e aberto a ser padronizado e isso não podia passar em branco. Quando tiver mais tempo vou fazer um post decente explicando sobre este codec, mas por enquanto basta saber:
- Baixíssimo atraso. Isso é muito importante para alguns tipos de aplicação (veja o exemplo dado no “Why low delay?” no site da Xiph.org). Mas como mesmo com baixo atraso o Opus ainda tem uma qualidade excelente (como mostra este teste do HydrogenAudio), o Opus vai permitir novos tipos de aplicação que antes não eram possíveis com nenhum codec. Imagine uma banda tocando ao vivo, com cada integrante da banda tocando dentro da sua própria casa e usando apenas uma conexão de Internet e equipamentos comuns. Antes do Opus isso seria impossível: ou você teria uma baixa qualidade de som OU não haveria sincronização entre os integrantes sem o auxílio de um equipamento externo. O Opus torna esse tipo de aplicação possível.
- Extremamente versátil. Graças as duas características acima e o fato do Opus trabalhar numa larga faixa de frequências (do 8KHz até os 20KHz) e de bitrates (de 6Kbps até 510Kbps), o Opus pode ser usado em praticamente qualquer situação. VoIP? Músicas? Jogos? Streaming? O Opus fará, e fará bem.
- Livre de royalties e aberto. A licença do Opus garante que você jamais será cobrado por usar, modificar, ou mesmo incluir o Opus num produto comercial. O encoder e decoder de referência são liberados numa licença permissiva BSD, o que permite incluí-los em praticamente qualquer programa, de código-aberto ou proprietário, sem problemas.
- RFC 6716. Diferente de outros codecs abertos o Opus foi o primeiro codec a ser padronizado de forma oficial, pela IEFT (Internet Engineering Task Force), uma organização que desenvolve e promove padrões da Internet. Padronização é importante pois incetiva empresas, órgãos públicos e instituições diversas a adotarem o formato. O Opus por exemplo já foi proposto como codec MTI (Mandatory-to-Implement, ou implementação obrigatória) do futuro formato WebRTC (para quem não sabe é o padrão proposto para comunicações em tempo-real via navegador, do tipo Skype).
A versão 1.0.1 do codec pode ser encontrada no site oficial (junto com as ferramentas de manipulação do formato), enquanto aqui se encontra uma versão experimental do encoder com o objetivo de conseguir mais qualidade em alguns casos. O jeito mais simples de brincar um pouco com o novo formato é usar a versão 1.1.14 ou superior do foobar2000. Ele oferece decode nativo e já tem uma interface gráfica para quem quiser encodar arquivos no novo formato, mas é necessário baixar o opus-tools do site oficial do codec e indicar o caminho para opusenc.exe na hora de encodar. Para quem usa Linux é possível compilar o opus-tools e o codec sem grandes dificuldades e ouvir os arquivos com o VLC 2.04 ou superior. Outro programa que já consegue decodificar o novo codec é o Firefox, na versão 15 para cima.
Recomendo pegar alguns arquivos lossless (não adianta testar a partir daquele MP3 128Kbps que você tem no seu disco) e converter para Opus usando bitrates relativamente baixos (como 96Kbps ou mesmo 64Kbps): o resultado é realmente impressionante. Isso sem considerar que o codec trabalha com baixo atraso mesmo nesses casos (o atraso máximo do Opus é 60ms, mas usando música o máximo que temos é 20ms, contra 200ms+ de um codec de uso geral como o MP3), mas isso fica para um próximo post.








